“ A Mulher que Pisava”
Chamava-se Maria.
E naquela
terra bendita
Ao redor da sua cubata
A mulher, a terra
cavava.
A batata – doce, o feijão
e o milho semeava.
Via as plantas crescer e
florescer
Alegre, logo ao amanhecer
Lá ia ela, delas cuidar
E um pouco de cinzas
Da lenha queimada
Nas raízes ia lançar…
Perguntava-lhe eu:
Maria, porque fazes
isso?
Dizia-me ela:
É para a terra fortificar…
E sempre à noitinha
Quando não chovia
Lá ia ela também
Aquelas plantar regar
Quando a batata – doce
O feijão e a massaroca estavam
maduros
Ela logo ia colher
E sorridente me vinha Na
sua quimbala trazer
Para a massaroca eu
comer
Então logo me dizia:
“Senhora, sabes?
Eu agora, vou deixar as massarocas
amadurecer
Para as apanhar e secar,
Para depois o milho
debulhar.
Depois de debulhado
então é que eu o vou pisar…
E vais ver só a boa fuba
que vai ficar
Para o pirão podermos
cozinhar…
E naquele ambiente
caloroso…
Aquele pirão
Acompanhado com rama de
batata – doce,
Feijão e peixe seco
Era mesmo, mesmo,
saboroso
Era mesmo de deliciar…
Autora: Maria Graciete Silva Sousa
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